Chafariz do Terreiro de Jesus

 

Esse chafariz neoclássico, de extraordinária elegância, foi inaugurado no Terreiro de Jesus, em oito de dezembro de 1856, dia de N.S. da Conceição da Praia. A data é referida pelo presidente da Bahia, o desembargador J.L.V. Cansansão de Sinimbu, em sua Fala à Assembleia Legislativa, em 1º de setembro de 1857.

Começou a ser instalado possivelmente em 1855, o mesmo ano referido por Manoel Querino, em que o chafariz da Praça do Comércio começou a ser instalado.

Fazia parte do ousado sistema de águas do Queimado, o primeiro sistema de água encanada do Brasil. Sua inauguração ocorreu conjuntamente com outros chafarizes, como o da Água de Meninos, o da Praça do Comércio, o do Largo do Theatro e o da Piedade.

Foi construído para o fornecimento de água à população, com um encanamento que se estendia inicialmente até o Convento de São Francisco. A água do Sistema do Queimado era capaz de subir 11 metros e 5 cm acima do adro da Catedral. Foi confeccionado em ferro fundido e mármore de Carrara, na antiga Fonderie d'Art du Val d'Osne. O chafariz possui sete metros de altura e está assentado em uma base de mármore circular, com 15 metros de circunferência.

Suas alegorias representam riquezas e características da Bahia. É encimado por uma escultura de Ceres (veja referência ao lado), deusa da fertilidade e da abundância agrícola. A base de seus pés é adornada com taboas, planta da família das tifáceas, comum no Brasil. Embaixo da primeira bacia de ferro fundido estão quatro meninas de mãos dadas. Mais embaixo, está uma bacia poligonal ornada com delfins, guirlandas e conchas marinhas. As esculturas da base (duas de entidades femininas e duas masculinas) representam os quatro principais rios da Bahia: Jequitinhonha, Paraguaçu, Pardo e São Francisco. Essas esculturas são do artista francês Mathurin Moreau, que chegou a dirigir, por algum tempo, a fundição Val d'Osne.

Em 1858 ou 1857, uma fotografia de Victor Frond, registrou sua imagem pela primeira vez. Em 1859, sua beleza foi elogiada pelo Imperador Dom Pedro II.

Esse modelo de chafariz foi apresentado na Exposição Universal de Paris (sem a escultura de Ceres), onde recebeu medalha de ouro. As esculturas dos rios representavam originalmente o deus Netuno, as nereidas Galateia e Anfitrite, e o pastor Ácis.

Entre os cerca de 20 chafarizes conhecidos, de modelos similares ao de Salvador, espalhados pelo mundo, o do Terreiro de Jesus é o mais antigo e o mais completo. Dos cerca de 22 chafarizes que existiram em Salvador, pelo menos três ou quatro eram da Val d'Osne. A fonte da Piedade e o Monumento a Colombo, no Rio Vermelho, possuem outros conjuntos de esculturas de Mathurin Moreau, originários de outros chafarizes.

Por Jonildo Bacelar

 

Fonte Terreiro de Jesus

 

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Venus Genetrix

 

Fountain Mathurin Moreau
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Val dosne

 

Aphrodite du type "Vénus Génitrix'', como é identificada esta escultura no Museu do Louvre e reproduzida, com alterações, para o chafariz de Salvador.

Esta escultura é uma das réplicas romanas de uma Afrodite do século 5 aC, desaparecida, atribuída ao escultor ateniense Calímaco.

Ela foi encomendada por Julio Cesar, em 46 aC, ao escultor Arcésilas, para o templo de Vênus Genetrix, em Roma.

Esta escultura do Louvre, entretanto, não é a mesma esculpida por Arcésilas. Por volta de 1685, esta réplica decorava os jardins de Versalhes. Em 1803, foi doada ao Louvre. A escultura de Arcésilas foi provavelmente destruída quando o templo foi incendiado posteriormente.

São conhecidas outras réplicas antigas, mas, em geral, faltando braços ou a cabeça. A reprodução, em melhor estado, é a Louvre.

 

 

A beleza do chafariz, em sua plenitude, após a sua última restauração, registrada por Alex Uchôa.

 

A inscrição VAL D'OSNE na base do chafariz.

 

Acima e embaixo, fotografias da Fontaine de la Fonderie d'Art du Val d'Osne, na Exposição Universal de Paris, de 1855. O chafariz concebido por Mathurin Moreau ganhou a medalha de ouro. É similar ao do Terreiro de Jesus, mas esse de Salvador possui bacias mais decoradas e a escultura de Ceres no topo. Dois chafarizes desse modelo foram adquiridos pela Cidade de Bordeaux, na França, e inaugurados, em 1857, posteriormente ao de Salvador.

Acima, o magnífico chafariz do Terreiro de Jesus. Ao fundo, a Igreja de São Francisco. No século 16, o local ficava em frente às instalações dos jesuítas.

 

 

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